Professor do Acre é destaque no Prêmio Jabuti Acadêmico com obra sobre a Amazônia

O professor Anselmo Gonçalves da Silva, docente do Instituto Federal do Acre (Ifac), campus Xapuri, foi selecionado entre os finalistas do Prêmio Jabuti Acadêmico 2025, na categoria Geografia e Geociências, com o livro “Que é Reserva Extrativista?” Uma homolo‑crítica conceitual (Editora Dialética).

A obra nasceu de sua tese de doutorado pela Universidade de Coimbra e propõe uma reflexão crítica sobre o conceito de reserva extrativista a partir da realidade acreana.

Livro articula história da Amazônia e conflitos atuais

A região do Acre é berço das primeiras Reservas Extrativistas (RESEX) no Brasil, como Chico Mendes, Alto Juruá, Riozinho da Liberdade e Alto Tarauacá. Ao longo do livro, Anselmo dialoga com moradores dessas comunidades, registra críticas às normas ambientais e propõe resgatar a filosofia original dos seringueiros como “barco e bússola” para futuras políticas amazônicas.

Professor em Xapuri desde 2006, Anselmo já atuou no ICMBio, na gestão da Resex Chico Mendes. Ele ressalta que seu trabalho não busca invalidar as reservas, mas fortalecer a identidade local e a governança participativa. “A seleção como finalista no Prêmio Jabuti Acadêmico representa reconhecimento coletivo de um olhar científico que nasceu no Acre”, afirma o pesquisador.


O que é Reserva Extrativista?”, livro do professor Anselmo Gonçalves da Silva, finalista do Prêmio Jabuti Acadêmico 2025


Legado e debate sobre as RESEX

O autor cita que há 98 reservas extrativistas no Brasil, totalizando mais de 15 milhões de hectares, mas destaca que muitos conflitos atuais surgem do afastamento das práticas comunitárias e do controle local. Ele defende a subversão do modelo institucionalizado, retornando às bases filosóficas dos seringueiros nos anos 1980 (representados por líderes como Chico Mendes) para revitalizar a governança territorial e ambiental.


Finalista do Prêmio Jabuti Academico 2025, o professor Anselmo Gonçalves
Professor Anselmo Gonçalves e sua obra “Que é Reserva Extrativista?” Uma homolo-crítica conceitual (Foto: G1/Arquivo/Anselmo Gonçalves)

A cerimônia do Prêmio Jabuti Acadêmico 2025 será em 5 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Os vencedores receberão a estatueta do Jabuti e premiação de R$ 5 mil. Para o cientista do IFAC, estar entre os finalistas significa dar visibilidade às abordagens científicas que emergem da periferia — reforçando que o interior do país também faz ciência relevante (pré‑via promocional do campus Xapuri).

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