Família de Preta Gil ainda lida com o luto pela perda da cantora, mas agora enfrenta uma polêmica religiosa. Gilberto Gil e Flora Gil enviaram uma notificação extrajudicial a um padre por intolerância religiosa, após ele citar Preta Gil em uma missa de forma ofensiva. O caso aconteceu na Paraíba e já gerou boletins de ocorrência e indignação nas redes.
Fala do padre Danilo
Tudo começou em 27 de julho, durante uma homilia na Paróquia de São José, em Areial, Paraíba. O padre Danilo César de Sousa Bezerra, de 31 anos, mencionou a morte de Preta Gil 2025, que faleceu uma semana antes, aos 50 anos, vítima de câncer, para questionar a fé da família em religiões de matriz africana.
Ele disse: “Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?” Os comentários foram vistos como desrespeito à memória da artista e incitação ao ódio religioso, chamando as crenças de “forças ocultas”.
Última publicação de Preta Gil (Vídeo: reprodução/Instagram/@pretagil)
A resposta da Família Gil
Gilberto e Flora Gil não deixaram passar. Eles enviaram uma notificação ao padre e à Diocese de Campina Grande, acusando-o de intolerância religiosa, crime previsto no Código Penal brasileiro, com pena de dois a cinco anos de prisão.
O documento exige uma retratação pública em até dez dias e medidas eclesiásticas. “Enorme desrespeito”, diz o texto, destacando que mais de 15 dias se passaram sem qualquer resposta. Além disso, três boletins de ocorrência foram registrados, e o caso está sendo investigado pela Polícia Civil.
Bela Gil, filha de Gilberto, também se manifestou: “Absurdo”, detonou ela nas redes, criticando a intolerância religiosa. A família reserva o direito de ações civis ou criminais se não houver retratação.
Padre Danilo falando sobre os Orixás (Vídeo: reprodução/YouTube/Chiques e Famosos)
Reações nas redes e na mídia
A polêmica explodiu online. No X, usuários repudiaram os comentários do padre, com posts viralizando vídeos da missa e chamando atenção para o crime de intolerância religiosa. “Não há nada de cristão em espalhar ódio no altar”, disse uma internauta. A notícia ganhou destaque em portais como Hugo Gloss, Terra e Purepeople, ampliando o debate sobre respeito às religiões de matriz africana.
Discussões sobre diversidade
Em um ano marcado por discussões sobre diversidade e respeito, o caso de Preta Gil destaca a luta contra a intolerância religiosa no Brasil. Preta, conhecida por hits como “Sinais” e sua trajetória na música, sempre defendeu a pluralidade cultural.
Sua família, com raízes nas religiões afro-brasileiras, usa o episódio para promover o diálogo. Até agora, nem o padre, nem a Diocese se pronunciaram publicamente.
Professora e aspirante a jornalista, Evellyn busca unir suas duas paixões: ensinar e informar. Possui experiência em supervisão editorial, redação e edição e, mais uma vez, tenta conectar dois mundos distintos, mas que fazem total sentido para quem lê e vive a informação.

