Confira títulos nacionais que já se destacaram no Festival de Cannes

O destaque do filme “O Agente Secreto” no 78º Festival de Cannes tomou as mídias sociais no último fim de semana, depois do elenco desfilar pelo tapete vermelho no último domingo (18). Esse, no entanto, não é o primeiro longa brasileiro a chamar atenção no festival. 

A redação do Rolling Screen separou algumas produções nacionais que brilharam no evento ao logo dos anos. Confira em ordem cronológica.

“O Cangaceiro”

Lançado em 1953 e dirigido por Lima Barreto, o filme que conta a história do quase romance entre um cangaceiro e uma professora sequestrada pelo bando, levou para casa o prêmio de Melhor Filme de Aventura e ainda Menção Honrosa pela trilha sonora. O longa é estrelado por Alberto Ruschel, que interpreta Teodoro e Vanja Orico, no papel da professora Olívia. 

“O Pagador de Promessas”

Dirigido por Anselmo Duarte e lançado em 1962, “O Pagador de Promessas” foi o único filme a conquistar a cobiçada Palma de Ouro. 


Gloria Menezes e Leonardo Villar.
Gloria Menezes e Leonardo Villar em “O Pagador de Promessas”, vencedor da Palma de Ouro (Foto: reprodução/IMDb)

Protagonizado por Leonardo Villar e a gigante Glória Menezes, a produção é uma forte crítica à religião institucionalizada e as diversas contradições sociais que rodeiam essa narrativa. 

“Deus e o Diabo na Terra do Sol”

Estrelado por Geraldo Del Rey e Yoná Magalhães, a produção revolucionou o cinema mundial com sua linguagem autoral e a estética Cinema Novo, com a forte presença da alegoria político-social.

Foi lançado em 1964, com a direção de Glauber Rocha e chamou atenção na Competição Oficial. 

“O Dragão de Maldade contra o Santo Guerreiro”

Quando assunto é fundir o místico com a violenta realidade paralela a ele, “O Dragão de Maldade contra o Santo Guerreiro” se torna uma pauta insistente. 

O longa levou o Prêmio de Melhor Direção, que ficou na conta de Glauber Rocha. O elenco conta com Maurício do Valle e a estrela Odete Lara. 

“Eles Não Usam Black-Tie”

Conhecido por simbolizar potentemente a luta sindical operária, “Eles Não Usam Black-Tie” foi lançado em 1981 e levou para casa o Prêmio Especial do Júri, se destacando pelo drama político sobre humanidade, conflitos de classe geracional e também obstrução do ideal pelo que precisa ser feito mediante a realidade. 


Fernanda Montenegro.
Fernanda Montenegro em “Eles Não Usam Black-Tie”
(Foto: reprodução/IMDb)

Foi dirigido por Leon Hirszman e no elenco encontramos nomes como Fernanda Montenegro, Gianfrancesco Guarnieri e Carlos Alberto Riccelli. 

“Eu Sei que Vou Te Amar”

Lançado em 1986 e protagonizado por ninguém menos que Fernanda Torres e Thales Pan Chacon, o longa levou para casa o Prêmio de Melhor Atriz para Torres. 


Thales Pan Chacon e Fernanda Torres.
Thales Pan Chacon e Fernanda Torres em “Eu Sei Que Vou Te Amar”
(Foto: reprodução/IMDb)

Conhecido pelo minimalismo intimista, “Eu Sei que Vou te Amar” chamou atenção pela tensão intensa e também pelo texto psicológico, que marca aos encontros de um casal após a separação. 

“O Que É Isso, Companheiro”

Misturando drama e thriller histórico, o filme político sobre a ditadura e o sequestro do embaixador do Estados Unidos, foi estrelado por Fernanda Torres, Pedro Cardoso e Selton Mello. A direção ficou por conta de Bruno Barreto. 

A produção, lançada em 1997, chamou atenção na Competição Oficial.

“Cidade de Deus”

Aqui chegamos em um dos filmes mais famosos do cenário nacional. Mesmo não levando prêmios para casa, “Cidade de Deus” foi exibido em uma Sessão Especial fora da competição e se destacou pela estética inovadora e impacto narrativo, tornando a produção um fenômeno global. 


Alice Braga e Alexandre Rodrigues.
Alice Braga e Alexandre Rodrigues em “Cidade de Deus”
(Foto: reprodução/Miramax/IMDb)

“Cidade de Deus” é dirigido por Kátia Lund e Fernando Meirelles. No elenco encontramos nomes como Alice Braga, Alexandre Rodrigues e Leandro Firmino. Foi lançado em 2002.

“Carandiru”

Lançado em 2003, com direção de Hector Babenco e Luiz Carlos Vasconcelos e Rodrigo Santoro no elenco, Carandiru denuncia a brutalidade do sistema penitenciário brasileiro, além do Massacre do Carandiru. 

Mesmo não levando prêmios, o longa foi exibido em uma Sessão Especial Fora de Competição. 

“Linha de Passe” 

Com direção do ilustre Walter Salles e Daniela Thomas, o filme foi lançado em 2008. Retrata a maternidade e a desigualdade social em São Paulo dentro desse contexto. 

No elenco, Vinícius de Oliveira e Sandra Corveloni, que levou o Prêmio de Melhor Atriz. 

“Bacurau”

Com direção de Kleber Mendonça Filho – também de “O Agente Secreto” – e Juliano Dornelles, “Bacurau” foi lançado em 2019 e conta com Bárbara Colen, Sônia Braga e Udo Kier no elenco. 


Bárbara Colen.
Bárbara Colen em “Bacurau”
(Foto: reprodução/Photo Cinemascópio/IMDb)

A produção levou para casa o Prêmio do Júri ao se destacar com uma fábula distópica, criticando o neocolonialismo e resistência do povo nordestino. A junção de gêneros impressionou o júri. 

“Marte Um”

Exibido em Sessões Paralelas, o longa foi bem recebido por retratar com ternura a vida de uma família negra e periférica em tempos de pouca esperança. 

No elenco, Cícero Lucas e Rejane Farias. A direção ficou por conta de Gabriel Martins. 

“Retratos Fantasmas”

O documentário poético sobre os antigos cinemas de Recife conta com a direção de Kleber Mendonça Filho e retrata a memória e identidade urbana. 

Lançado em 2023, foi exibido em Sessão Especial, com Seleção Oficial.

Em clima de festa, o Brasil aguarda que mais títulos marquem os eventos de cinema e torce pelo avanço de “O Agente Secreto” pelos festivais. Sentiu falta de outros nomes? Compartilha com a Rolling! 

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