Entre lendas, medos e personagens sombrios, o cinema brasileiro tem produções de terror que merecem destaque. De clássicos cult a estreias recentes, esses filmes mostram que o medo à brasileira pode ser tão intenso quanto produções estrangeiras e perfeito para uma maratona de Halloween.
Um Clássico: a trilogia Zé do Caixão
Nenhuma lista de terror nacional estaria completa sem José Mojica Marins, o eterno Zé do Caixão. “À Meia-Noite Levarei Sua Alma” (1964), “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver” (1967) e “Encarnação do Demônio” (2008) formam uma trilogia marcante que mistura horror psicológico, crítica social e provocação religiosa. O personagem virou ícone cult e referência para cineastas no mundo todo, de Tim Burton a Rob Zombie.
José Mojica Marins, o Zé do Caixão. Nascido no dia 13 de março de 1936 (Foto: reprodução/Instagram/@mubibrasil)
Em “À Meia-Noite Levarei Sua Alma” (1964), Zé é um coveiro, ateu e cruel, que busca gerar o “filho perfeito” para perpetuar o seu sangue, desafiando Deus e a moral da cidade. Um marco do cinema nacional, filmado somente em treze dias, conta com a criatividade para superar o seu orçamento modesto. Polêmico, foi um sucesso que dividiu opiniões, considerado muito violento e até caracterizado como blasfêmia, sendo banido sua exibição em diversos estados brasileiros.
“Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver” (1967), Zé segue em sua trajetória sangrenta e perversa, agora com ajuda de um fiel assistente. Elogiado por críticos e fãs, é uma sequência do primeiro filme, sendo ainda mais ambicioso e esteticamente rico, considerado o auge artístico e visual de Mojica. Vale ressaltar que o filme sofreu censura durante a ditadura, com falas alteradas.
“Encarnação do Demônio” (2008), tem roteiro de Dennison Ramalho e direção de Mojica, quarenta anos depois do primeiro filme, Zé (envelhecido), retorna às telas dos cinemas para um encerramento brutal e filosófico. Sendo aclamado pelas críticas internacionais e tendo exibições em diversos festivais de cinema ao redor do mundo
Halloween: o terror psicológico, dos contos fictícios e do drama
“O Lobo Atrás da Porta” (2013), baseado em um caso real, o longa de Fernando Coimbra é um thriller sufocante que mostra o horror cotidiano, porém sem monstros nem fantasmas. O desaparecimento de uma criança revela uma teia de ciúmes e traições, mostrando que o medo mais perturbador pode vir do próprio ser humano.
Em “As Boas Maneiras” (2017), o filme de Juliana Rojas e Marco Dutra mistura drama e fantasia em uma narrativa inquietante. A relação entre duas mulheres, uma enfermeira e sua misteriosa patroa, se transforma em algo cada vez mais sombrio conforme a história avança. É um terror visualmente impecável, com trilha sonora envolvente e momentos que transitam entre o delicado e o monstruoso.
Já em “Mata Negra” (2018), dirigido por Rodrigo Aragão, o filme mistura magia, maldição e elementos do folclore brasileiro. A trama acompanha uma jovem que encontra o misterioso “Livro Perdido de Cipriano”, capaz de libertar forças sombrias. Com efeitos práticos e atmosfera intensa, é um dos títulos mais criativos do terror nacional recente.
Um sangue ainda quente, a estreia de 2025 : A Própria Carne
Produzido pelo Jovem Nerd e dirigido por Ian SBF (do Porta dos Fundos), o filme acompanha três soldados desertores da Guerra do Paraguai que buscam refúgio em uma fazenda isolada apenas para descobrir segredos macabros.
Com atmosfera tensa e um olhar autoral sobre o horror histórico, é uma das apostas mais aguardadas do terror brasileiro. O filme tem estreia marcada para este dia 30 de outubro, véspera de halloween.
Trailer de “A Própria Carne” (Vídeo: reprodução/Instagram/@apropriacarne)
Hora de prestigiar o terror brasileiro
Do clássico Zé do Caixão às produções contemporâneas, o terror brasileiro tem histórias capazes de assustar, provocar e encantar. Neste Halloween, vale deixar os sustos importados de lado e mergulhar em filmes que exploram nossos próprios medos, mais próximos, reais e intensos do que parecem.

