Mais de um século depois de perder um de seus exemplares mais valiosos, a Universidade de Oxford volta a abrigar uma edição histórica de “Alice no País das Maravilhas”. A instituição recebeu recentemente um volume que pertenceu ao próprio Lewis Carroll, considerado um dos mais importantes registros materiais ligados à obra.
O livro passa a integrar o acervo da Christ Church em conjunto com as Bibliotecas Bodleianas, fortalecendo a relação histórica entre a universidade e o autor do clássico da literatura mundial.
“Alice no País das Maravilhas”: um exemplar pessoal de Lewis Carroll
O volume doado é conhecido entre especialistas como “A Alice de Michelson” e se destaca por reunir materiais raríssimos. O livro contém anotações manuscritas de Lewis Carroll e desenhos originais de John Tenniel, ilustrador responsável por definir a identidade visual do clássico.
Esses esboços fazem parte de um conjunto extremamente limitado, já que muitos dos estudos preparatórios da obra se perderam ao longo do tempo. Por isso, o exemplar é considerado uma fonte essencial para pesquisadores interessados no processo criativo do livro.
A partir de janeiro, o público poderá ver o volume de perto nas Bibliotecas Bodleianas, antes de sua inclusão em uma exposição dedicada à relação entre humanos e animais na cultura.
Oxford e a edição suprimida de 1865
A relevância da doação também está ligada à história da própria edição. Publicado originalmente em 1865, o livro teve grande parte de sua tiragem retirada de circulação após o ilustrador apontar problemas na impressão. Hoje, restam pouco mais de vinte exemplares conhecidos dessa versão inicial.
O retorno simbólico da obra a Oxford ganha ainda mais força pelo vínculo de Charles Lutwidge Dodgson, nome civil de Carroll, com a universidade. Professor e bibliotecário da Christ Church, foi nesse ambiente acadêmico que ele desenvolveu ideias que ajudariam a moldar Alice no País das Maravilhas.
Avaliado em vários milhões de libras, o exemplar fecha um ciclo histórico iniciado com o desaparecimento de um volume da instituição no início do século XX, reafirmando o papel de Oxford na preservação de um dos maiores clássicos da literatura mundial.
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