Foto destaque: Ana Maria Gonçalves com Fernanda Montenegro, Rosiska Darcy e Miriam Leitão (Reprodução/Agência Brasil/Dani Paiva)
A escritora Ana Maria Gonçalves fez história no dia 7 de novembro de 2025 ao tomar posse como primeira mulher negra a ingressar na Academia Brasileira de Letras após 128 anos de acontecimentos.
Ela se torna a mulher mais jovem entre os imortais, assumindo a cadeira 33, sucedendo Evanildo Bechera, grande linguista brasileiro. Com 54 anos de pura inteligência e sabedoria, Ana Maria Gonçalves é 13ª mulher a ser eleita desde da fundação ABL de 1897.
De escritora da história à protagonista da literatura brasileira
Como uma troca justa pelos seus anos dedicados a língua portuguesa, com muita emoção na fala, Ana Maria Gonçalves comenta sobre ser a primeira mulher negra no rol dos imortais;
“Eu estou feliz essa noite, uma noite marcante não só para mim, mas para muita gente que tem expectativa sobre essa cadeira aqui”
Das mãos do grande escritor e cantor Gilberto Gil, a escritora recebe o diploma oficial após assinar o livro e vestir o colar. Que ao receber, formidáveis palavras saem do mesma boca que canta Sítio do Pica-Pau Amarelo e faz história na cultura brasileira e adentram nos ouvidos, confortando o peito que inspira alívio por tamanha dedicação.
“Ela é uma grande escritora e uma grande pensadora, uma grande militante da causa pela igualdade, pela liberdade”
Ana Maria Gonçalves se torna a 13ª mulher a ser eleita para a ABL, assumindo a cadeira de número 33 que teve apenas 5 ocupantes ao longo da história brasileira, todos eles sendo homens brancos. Uma grande mulher negra que vem contando história na literatura brasileira e esse ano se fez parte da história. Em seu discurso de porre, palavras de afirmação sobre a resistência e luta por sua vaga na academia.
“Assumo para mim como uma das missões promover a diversidade nessa casa e fazer avançar as coisas nas quais nela eu sempre critiquei, como a falta de diversidade na composição de seus membros, uma abertura maior para o público, o verdadeiro dono da língua que aqui cultivamos e um maior empenho na divulgação e na promoção da literatura brasileira.”
O momento foi marcado por emoção e reconhecimento. Ao tomar posse na cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras, Ana Maria Gonçalves celebrou não apenas sua trajetória literária, mas também a representatividade que sua presença traz para a literatura brasileira. Sua conquista simboliza o avanço da diversidade e da valorização de novas vozes na cena literária do país. Confira no vídeo.
Clipe da Ana Maria Gonçalves tomando posse como nova imortal da ABL (Vídeo: reprodução/YouTube/G1)
Entre histórias e resistência: o caminho de Ana Maria Gonçalves nas letras.
Nascida e criada em Ibiá, Minas Gerais. Sua história com a literatura começa em 1970, pela paixão em ler jornais, revistas e livros que acenderam o fogo em seu coração pelas letras, inspirando Ana Maria Gonçalves a escrever contos e poemas, que na época não foram publicados, mas que isso não foi capaz de apagar o brilho que já estava traçado nas linhas do destino.
Depois de desistir da profissão de publicitária em São Pulo, e se arriscar à escrita e à pesquisa na Bahia, seu segundo livro publicado se torna parte da história brasileira. “Um defeito de cor” conquistou o título de “Casa de las Américas” em 2007, considerado o livro mais importante da categoria literatura brasileira do século XXI por Millôr Fernandes.
Inspirado na trajetória de Luiza Mahian, o romance metaficcional, narra como Kehinde enfrentou a escravidão e diversas revoltas, obtendo destaque na Revolta dos Malês. A negra africana, manteve a coragem pela busca da liberdade e a esperança de poder contar entre seus próprios lábios e dentes a história magnífica que sua língua ansiava em descrever.
Hoje, ao ocupar a cadeira 33 da Academia Mineira de Letras, Ana Maria Gonçalves consagra uma trajetória marcada por coragem, talento e resistência. Sua presença reafirma o papel da literatura como instrumento de memória e transformação, celebrando não apenas uma autora, mas uma voz que ecoa as histórias e identidades do povo brasileiro.
Estudante de jornalismo, aspirante a escrita e apaixonada por todo tipo de arte. Me vejo nos quadros, me encontro na atuação e me expresso através da escrita. Vivendo uma batalha constante de dias eufóricos e dias melancólicos, tal qual a Bella de crepúsculo! Assim como ela, tenho dificuldade em tomar decisões rápidas, eu só espero que meu rosto não copie as expressões dela também…
Não há como falar de paixões e não mencionar a minha gata, Nevasca e também o BTS – que para os mais íntimos é “meus meninos”, falo isso como se não fosse uns 10 anos mais nova que eles. Fui criada por mulheres que definitivamente foram escritas pela Tinkerbell e Rapunzel. Graças a isso, tenho infinitos hobbies e nunca estou parada, quieta em meu lugar – talvez essa informação sobre mim, não necessariamente seja por causa da minha criação e sim do meu tdah. Criar coisas novas e falar pelos cotovelos são frases que meus ouvidos escutam constantemente, e sinceramente, concordo todas às vezes. Me vejo em constante mudança e sempre entrando de cabeça em mares desconhecidos, queria trazer uma música preferida ou um filme, mas essa resposta sempre vai depender da fase que minha vida se encontra. Sempre seremos um mosaico de pessoas, coisas e lugares que passamos ou permanecemos e devido a isso tenho um enorme apego as peças que já se formaram em minha vida e anseio em conhecer as novas que se formaram e no final vão me revelar a obra que sou, ou a que eu fui. Até porque, coisas vem e se vão muito rápido. Errado não são aqueles que partem sem aviso, mas aqueles que ficam esperando um retorno. A chave da vida talvez seja exatamente essa, é ir embora sem avisar quando a situação já te mostrou que as malas estavam prontas há muito tempo. Mas também é se permitir sentir quaisquer sentimentos e receber os pedaços de ensinamento que cada um deles trazem guardados em seus bolsos. É ser como um vento. É sentir tudo, permanecer em arredores, mas entender que há um mundo todo para explorar.
Se por um acaso você entendeu minha biografia e o que passa na minha cabeça, parabéns! Você agora me conhece um pouco e sinto que seríamos ótimos amigos(a).