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Clássicos de Machado de Assis seguem em alta nos vestibulares

Imagem de Machado de Assis

Imagem de Machado de Assis (reprodução/Wikimedia Commons)

Machado de Assis se mantém como um dos autores mais cobrados nos vestibulares brasileiros por seu estilo literário único, marcado por concisão, ironia e uma profunda crítica social. Considerado o principal nome do realismo no Brasil, o escritor é constantemente exigido em exames como Enem, Fuvest, Unicamp e outros por sua capacidade de explorar a psicologia humana e provocar reflexões sobre a elite carioca do século XIX.

Machado de Assis nos vestibulares: por que ele nunca sai de cena

Fundador da cadeira n.º 23 da Academia Brasileira de Letras (ABL), ocupou por mais de dez anos a presidência da entidade.

A virada na carreira de Machado acontece com Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), romance que rompe com as convenções narrativas da época e inaugura uma nova estética na literatura nacional. A obra dá início à chamada trilogia realista, ao lado de Quincas Borba (1891) e Dom Casmurro (1900), marcada por personagens ambíguos, pessimismo filosófico e ironia sofisticada.


Edição de Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis da Editora Principis
Edição de Quincas Borba – Machado de Assis da Editora Principis
Edição de Dom Casmurro – Machado de Assis da Editora Principis

Segundo O Livro da Literatura, publicado pela Editora Globo, Machado é o maior expoente do Realismo no Brasil, retratando com precisão a sociedade do século XIX, em especial a elite carioca do Segundo Reinado. Mas sua originalidade vai além da crítica social: ele também revoluciona a forma de contar histórias.

De acordo com o professor Castelar de Carvalho, autor do Dicionário de Machado de Assis: língua, estilos, temas, o escritor cria uma narrativa única, em que o trágico e o cômico se entrelaçam sem aviso. Sua prosa é concisa e elegante, recheada de recursos como metalinguagem, discurso indireto livre, digressões, sátira, paródia, oralidade, intertextualidade e humor irônico.

Esse arsenal estilístico exige muito mais do que memorização por parte dos vestibulandos. É preciso refletir, interpretar e ler com atenção características que explicam por que suas obras continuam caindo nas provas ano após ano.

Realismo, ironia e identidade: o legado múltiplo de Machado

Nos últimos anos, a imagem pública de Machado também passou por revisões. Embora retratado por muito tempo como branco, pesquisas e movimentos literários têm resgatado suas raízes afrodescendentes e discutido o apagamento histórico de sua identidade racial. Esse debate amplia ainda mais a relevância do autor no cenário educacional e cultural brasileiro.

Você já leu algum livro do Machado de Assis por vontade própria, ou só por obrigação da escola? E qual recurso narrativo dele mais mexe com você? Conta aqui nos comentários!

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