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Bad Bunny traz o sentimento latino para o Brasil

Bad Bunny faz seus primeiros shows no Brasil e traz a latinidade.

Bad Bunny (Reprodução/YouTube/BadBunnyPR)

Bad Bunny fez seu primeiro show no Brasil nesta sexta-feira (20), no Allianz Parque, Zona Oeste de São Paulo. O cantor trouxe sua turnê “DeBÍ TiRAR MáS FOToS”, que trata-se de uma carta de amor a Porto Rico e um protesto contra a influência estrangeira. Diante de duas noites esgotadas, o artista porto-riquenho fez mais do que apresentar seus maiores sucessos: encenou, em escala pop, uma afirmação identitária que ultrapassa a música.

Quem é Bad Bunny?

Nascido em Porto Rico, Benito Antonio Martínez Ocasio, conhecido como Bad Bunny, diferentemente de gerações anteriores que migraram para o inglês em busca de mercado, ele consolidou uma carreira internacional mantendo o espanhol como língua central e a estética caribenha como marca.

Seus discos misturam reggaeton, trap, salsa e referências afetivas da ilha. O artista foi o mais ouvido do mundo em 2025, com quase 20 bilhões de reproduções no Spotify.

O álbum Debí Tirar Más Fotos, que embala a atual turnê e venceu o Grammy de Melhor Álbum, tornando-se o primeiro trabalho totalmente em espanhol a conquistar a categoria principal, reforça essa identidade. Foi o primeiro álbum completamente em espanhol a ganhar na categoria. Confira o álbum abaixo.


DeBí TiRAR Más FOToS (Áudio: reprodução/Spotify/@Bad Bunny)


Bad Bunny como ato político

As músicas e o posicionamento público do cantor deixam claro que sua atuação vai além do palco. Em 2019, o músico abandonou uma turnê para se juntar a uma onda de protestos contra o governador Rosselló, em Porto Rico.

Mais recentemente, evitou marcar datas nos Estados Unidos, com exceção da apresentação no Super Bowl, afirmando preocupação com operações do serviço de imigração (ICE) e criticando políticas migratórias associadas ao ex-presidente Donald Trump.

Foi justamente no Super Bowl que protagonizou um dos gestos mais simbólicos de sua carreira. Ao repetir o lema “Deus abençoe a América”, tradicionalmente associado ao patriotismo norte-americano, ampliou o significado da frase: celebrou a América como continente, mencionando países latino-americanos e exibindo suas bandeiras.

Sem discurso partidário, deslocou o centro da narrativa. A “América” evocada por ele não era apenas os Estados Unidos, mas também o Caribe, a América do Sul e a América Central.

O Brasil entendeu que é latino?

Historicamente, o Brasil manteve uma relação ambígua com a ideia de latinidade. Embora seja o maior país da América Latina, muitas vezes se percebeu como exceção dentro do continente, seja pela língua portuguesa, seja por laços culturais mais fortes com Europa e Estados Unidos. Mas no Allianz Parque, essa distância pareceu menor. O público cantou em espanhol do início ao fim, sem hesitação.

Quando Bad Bunny falou em união latino-americana no palco, o gesto encontrou eco. Não como slogan político, mas como reconhecimento cultural. Talvez o Brasil não tenha “descoberto” que é latino, mas, diante de um estádio inteiro vibrando ao som caribenho, ficou evidente que essa identidade já circula com naturalidade entre o público.

Mais do que um show, a passagem de Bad Bunny pelo Brasil funcionou como declaração cultural: música, identidade e política se entrelaçaram num mesmo palco. O que se viu em São Paulo foi um país reconhecendo, mesmo que por algumas horas, que faz parte de uma América plural e que esse pertencimento pode ser sentido através do ritmo, da língua e da festa coletiva.

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