Sylvester Stewart, mais conhecido como Sly Stone, morreu nesta segunda-feira (9), aos 82 anos, nos Estados Unidos. De acordo com nota divulgada pela família, o músico faleceu “pacificamente, cercado por seus três filhos, seu melhor amigo e sua família estendida”. A causa da morte foi uma doença pulmonar obstrutiva crônica, agravada por outros problemas de saúde.
Pioneiro da integração racial e sonora nos anos 60 e 70
Nascido no Texas e criado na Califórnia, Sly Stone fundou a Sly and the Family Stone em 1966, grupo que se tornaria símbolo de uma nova era da música americana. Misturando funk, soul, rock psicodélico e gospel, a banda se destacou por seu som ousado e por sua formação multirracial e mista, algo raro para a época, em um país ainda profundamente marcado pela segregação.
Com discos como Stand! (1969), There’s a Riot Goin’ On (1971) e Fresh (1973), a Family Stone marcou época com letras politizadas e uma sonoridade vibrante, construída sobre grooves de baixo marcantes, linhas de sopro explosivas e vocais em camadas.
Entre os maiores sucessos do grupo estão faixas como “Everyday People”, “Thank You (Falettinme Be Mice Elf Agin)”, “Family Affair” e “Dance to the Music”. Em 1993, o grupo foi incluído no Hall da Fama do Rock and Roll.
Inovador técnico e influência duradoura
Muito além de suas performances incendiárias e mensagens de união, Sly Stone foi também um dos pioneiros da gravação em estúdio caseiro, do uso criativo da gravação multipista e da incorporação de efeitos eletrônicos como o pedal wah-wah e a bateria programada.
Seu trabalho antecipou o modelo de artista-produtor que influenciaria nomes como Prince, Stevie Wonder e D’Angelo.
Em 2025, sua trajetória foi retratada no documentário Sly Lives! (aka The Burden of Black Genius), dirigido por Questlove, baterista da banda The Roots e vencedor do Oscar de Melhor Documentário por Summer of Soul.
“Sly criou o alfabeto que ainda usamos para expressar música”, disse Questlove à revista Variety. “Ele foi o primeiro a fazer tudo sozinho em estúdio. A maioria dos produtores modernos deve sua abordagem a ele.”
A influência de Stone atravessa gerações e gêneros. Seus grooves e linhas melódicas foram amplamente sampleados por artistas de hip-hop, como Public Enemy, De La Soul e Dr. Dre, consolidando seu papel como elo entre o soul dos anos 70 e a música urbana contemporânea.
Seu legado é o de um visionário que não apenas transformou a música, mas também ajudou a moldar a cultura popular com uma mensagem de inclusão, liberdade e expressão criativa.

