Preta Gil: relembre a trajetória de uma artista que viveu com intensidade e coragem

Preta Gil I Reprodução/Instagram/@pretagil

Preta Gil, filha de Gilberto Gil, sobrinha de Caetano Veloso e afilhada de Gal Costa, faleceu neste domingo (20), aos 50 anos, em decorrência de complicações causadas por um câncer no intestino. A artista estava nos Estados Unidos, onde realizava tratamento contra a doença.

Uma jornada de brilho, desafios e conquistas

Aos 29 anos, Preta Gil deixou de lado as carreiras de produtora e publicitária para se dedicar à música. Foi então que lançou seu primeiro álbum, “Prêt-à-Porter”, que trouxe o sucesso “Sinais de Fogo”, composto por Ana Carolina especialmente para ela. O disco também chamou atenção pela capa, que gerou polêmica ao mostrar a cantora nua.


Preta Gil e Ana Carolina cantando a música “Sinais de Fogo” (Vídeo: reprodução/YouTube/@pretagiloficial)


“Eu lembro que fui mostrar para o meu pai e ele falou: ‘Desnecessário, Preta’. Aquilo foi uma confusão na minha cabeça. Mas meu pai é um sábio. Ele sabia exatamente o que eu ia passar depois. Eu lancei o disco achando que estava abafando, mas veio uma enxurrada de muitas críticas na época. De muito conservadorismo”, disse a cantora em uma entrevista concedida a Pedro Bial.

Em setembro de 2005, Preta Gil lançou seu segundo álbum, “Preta”, que incluiu faixas como “Muito Perigoso” e “Eu e Você, Você e Eu”. Já em 2010, veio o terceiro trabalho, “Noite Preta”, que deu origem a uma turnê de mesmo nome e percorreu o país por sete anos, consolidando sua presença nos palcos.


“Eu e Você, Você e Eu” (Vídeo: reprodução/YouTube/@pretagiloficial)


Com o sucesso da turnê, ela criou o espetáculo “Baile da Preta”, conhecido pelo repertório variado e pela energia contagiante. Em seu site oficial, a cantora define o projeto como um reflexo de sua identidade musical: “O Baile da Preta retrata a minha personalidade musical, meu ecletismo, meu gosto e meu respeito pela MPB, que para mim vai de Caetano Veloso e Gilberto Gil até Aviões do Forró e Psirico”.

Ainda naquele ano, Preta Gil estreou o programa “Vai e Vem“, exibido na televisão. Com um elevador como cenário principal, ela recebia convidados para conversas francas sobre sexo. Em entrevista a Jô Soares, explicou a proposta da atração: “Queria que fosse um programa sem vulgaridade, com inteligência e humor”.

Em 2012, lançou o álbum “Sou como Sou”, pela gravadora DGE Entertainment, com destaque para as faixas “Mulher Carioca” e “Relax”.

Bloco da Preta

Para comemorar uma década de carreira, Preta gravou o DVD “Bloco da Preta”, reunindo um repertório diverso que ia do pop ao sertanejo, passando por funk, axé, pagode e samba. No palco, foi acompanhada pelos ritmistas da bateria “Black Power” e recebeu convidados especiais como Lulu Santos, Ivete Sangalo, Anitta, Israel Novaes e Thiaguinho.


Preta Gil no “Bloco da Preta” em 2020, no Rio de Janeiro (Foto: reprodução/ Wagner Meier/ Getty Images Embed)


Preta Gil foi a idealizadora de um dos maiores blocos do Carnaval do Rio de Janeiro. O “Bloco da Preta” estreou em 2010 e, em 2017, reuniu uma multidão de mais de 500 mil foliões no Centro da cidade, em um desfile que prestou homenagem ao icônico Chacrinha.

Música, TV e negócios: a versatilidade de Preta Gil

Em 2017, Preta Gil lançou seu sexto e último álbum, “Todas as Cores”, disponível exclusivamente em formato digital. O trabalho contou com participações especiais de Pabllo Vittar, Marília Mendonça e Gal Costa, e trouxe faixas como “Botando a Fila para Andar”, composta por Ana Carolina.

Já em 2021, lançou a música “Meu Xodó” em parceria com o filho, Francisco. Na época, revelou que a canção foi essencial para ajudá-la a superar um momento difícil. “Se não fosse o Fran, talvez eu tivesse perdido minha voz. Sou intérprete, não toco instrumento. Ele me incentivou o tempo todo a não me afundar de vez”, disse em entrevista ao G1.


Canção “Meu Xodó” (Vídeo: reprodução/YouTube/@Blacktape)


Ao longo da carreira, Preta também participou de produções na televisão, com aparições em novelas e séries como “As Cariocas”, “Ó Paí, Ó” e “Vai que Cola”.

No campo empresarial, foi uma das sócias da agência Mynd, que gerenciava carreiras de diversos artistas e influenciadores, entre eles Luísa Sonza, Pabllo Vittar e Camilla de Lucas.

Ícone da música brasileira, morre aos 50 anos

Desde janeiro de 2023, Preta Gil enfrentava um câncer no intestino. Após passar por quimioterapia, radioterapia e uma cirurgia para remover tumores em agosto de 2024, a doença reapareceu em outras partes do corpo, exigindo novos tratamentos.

Nos Estados Unidos, ela deu continuidade ao combate à doença com terapias experimentais, dividindo seu tempo entre Nova York, onde estava hospedada, e Washington, para receber atendimento em um centro médico especializado.

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