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Anvisa aprova Butantan-DV: 1ª vacina de dose única contra dengue no Brasil

Anvisa aprova Butantan-DV: 1ª vacina de dose única contra dengue no Brasil

Foto destaque: Vacina contra a dengue (Reprodução/Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

A Anvisa aprovou a Butantan-DV, a primeira vacina de dose única contra a dengue desenvolvida no Brasil. O imunizante, produzido pelo Instituto Butantan, é considerado um avanço histórico no combate à doença e deve ampliar significativamente o acesso à imunização em todo o país.

A vacina foi liberada para pessoas entre 12 e 59 anos. Estudos clínicos mostram que a Butantan-DV apresenta eficácia e pode prevenir a maior parte dos casos de dengue, além de oferecer proteção segura para quem já teve dengue ou está sendo vacinado pela primeira vez.

Eficácia da vacina

Dados do estudo clínico mostram que a vacina oferece proteção abrangente e consistente:

Esses números indicam que a Butantan-DV reduz significativamente a chance de infecções graves e elimina a necessidade de internações entre os vacinados analisados.

A pesquisa contou com mais de 16 mil voluntários de 14 estados brasileiros, acompanhados entre 2016 e 2024. O estudo avaliou a eficácia da vacina em diferentes cenários epidemiológicos, reforçando sua segurança em:

Como vacina tetravalente, a Butantan-DV inclui os quatro sorotipos do vírus, garantindo proteção ampla em períodos de maior circulação do Aedes aegypti.

Vacina contra dengue para outras faixas etárias já está prevista

A Anvisa autorizou novos estudos para ampliar o uso da vacina Butantan-DV para outras idades além do público atualmente aprovado (12 a 59 anos). A expectativa é que o imunizante possa beneficiar ainda mais brasileiros nos próximos anos.

A agência reguladora permitiu a realização de pesquisas específicas para o grupo de 60 a 79 anos, etapa essencial para confirmar eficácia e segurança da vacina nessa faixa etária. O objetivo é oferecer proteção também às pessoas com maior risco de desenvolver formas graves da dengue.

Embora a Anvisa ainda aguarde dados complementares, os estudos clínicos já realizados indicam que a vacina é segura para crianças de 2 a 11 anos. A inclusão oficial desse grupo dependerá da análise dos resultados adicionais e da conclusão das novas fases de teste.


Vacina contra dengue em dose única (Foto: reprodução/Instagram/@portalg1)


Brasil já conta com 1 milhão de doses prontas da vacina contra dengue

Antes mesmo da aprovação oficial da Anvisa, o Instituto Butantan já havia iniciado a produção em larga escala da vacina Butantan-DV. Graças ao preparo antecipado, o país tem mais de 1 milhão de doses prontas para serem entregues ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) assim que o Ministério da Saúde definir o início da campanha.

A fabricação prévia, realizada no parque industrial do Butantan, permite que a distribuição comece rapidamente após a decisão do Ministério da Saúde. Essa estratégia reduz o tempo entre a aprovação regulatória e a chegada do imunizante à população, algo essencial em um cenário de alta transmissão de dengue.


Mosquito da dengue (Foto: reprodução/pixabay)

O pediatra e infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), destacou que os resultados de eficácia e segurança apresentados pela Butantan-DV justificam a agilidade na incorporação da vacina ao programa nacional. Para ele, a disponibilidade imediata das doses reforça a importância da vacinação como ferramenta central no combate aos surtos de dengue.

“A vacina demonstrou eficácia elevada, em torno de 75% contra a doença e acima de 90% para formas graves e hospitalizações”, diz.

Kfouri destaca que a produção nacional é um diferencial estratégico.

Além da eficácia, temos o benefício de ser uma vacina produzida no país. Isso facilita o acesso e a escala de distribuição”, diz.

Para garantir maior oferta da vacina contra a dengue nos próximos anos, o Instituto Butantan firmou uma parceria internacional com a empresa chinesa WuXi. O acordo permitirá expandir significativamente a capacidade produtiva e, segundo o instituto, possibilitará a entrega de cerca de 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026.

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