A Polícia Federal realizou, nesta quarta-feira (14), a segunda fase da Operação Compliance Zero, ampliando o cerco a um suposto esquema de irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master. A nova etapa mira novamente o banqueiro Daniel Vorcaro, que já havia sido preso na primeira fase da investigação, deflagrada em novembro do ano passado.
Além de Vorcaro, a PF também cumpre mandados contra familiares ligados à instituição, incluindo irmã, cunhado e um primo que possui participação no banco. Outro nome de destaque entre os alvos é o empresário e investidor Nelson Tanure, conhecido por atuar na reestruturação de empresas em crise no mercado brasileiro.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é preso pela PF
O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Capital Holding, também está no foco das investigações. Ele já havia sido alvo da Polícia Federal em outubro de 2025, em apuração que apontava o uso de fundos de investimento para ocultação de patrimônio de pessoas ligadas ao setor de combustíveis.
De acordo com a PF, o avanço da operação foi possível após a análise de documentos e provas coletadas na primeira fase, que revelaram novos indícios de práticas irregulares, levando à ampliação das medidas judiciais contra o grupo investigado.
Ao todo, estão sendo cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em endereços relacionados aos investigados. As ações ocorrem em São Paulo, principalmente na região da Avenida Faria Lima, além de Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. A Justiça também determinou o bloqueio de bens que somam R$ 5,7 bilhões.
As ordens judiciais foram autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que acompanha o caso devido ao envolvimento de autoridades e ao alcance nacional da investigação.
Defesa se manifesta após nova fase da operação
Em posicionamento oficial, a defesa do proprietário do Banco Master afirmou ter sido informada sobre o cumprimento dos mandados de busca e apreensão e destacou que Daniel Vorcaro vem colaborando de forma contínua com as autoridades desde o início das investigações. Segundo os advogados, todas as determinações judiciais serão cumpridas com transparência.
“informa que tomou conhecimento da medida de busca e apreensão e reafirma que o Sr. Vorcaro tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes. Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência. A defesa não teve ainda acesso aos autos”. “O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito. A defesa reitera confiança no devido processo legal e seguirá atuando nos autos para que as informações sejam tratadas de forma objetiva e dentro dos limites constitucionais”.

Banco Central
O Banco Central decidiu retirar os embargos de declaração que havia apresentado ao Tribunal de Contas da União (TCU) em um processo que envolve a fiscalização de procedimentos relacionados ao Banco Master. A medida foi tomada após um alinhamento institucional entre os dois órgãos e elimina a necessidade de análise do recurso pelo plenário do tribunal, que estava prevista para ocorrer no dia 21.
A decisão foi consolidada depois de um encontro entre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo. Com o entendimento firmado, o órgão regulador concordou em disponibilizar ao tribunal toda a documentação solicitada, permitindo a verificação da legalidade e da conformidade dos atos administrativos adotados no caso.
Segundo o presidente do TCU, a atuação da Corte não tem como objetivo influenciar ou interferir em uma eventual decisão do Banco Central sobre a liquidação do Banco Master. O foco da inspeção é garantir transparência e assegurar que os procedimentos adotados estejam em conformidade com as normas vigentes.
A desistência formal do recurso foi registrada na terça-feira, dia 13, pela AudBancos, setor técnico do TCU responsável por acompanhar e fiscalizar processos ligados ao sistema financeiro nacional. A iniciativa reforça a cooperação institucional entre os órgãos e amplia a supervisão sobre ações relevantes no setor bancário.
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