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Críticas da ONU expõem desafios de segurança na COP30

ONU coloca pressão sobre o Brasil em meio a falhas de segurança e estruturais

Foto Destaque: Porangaço dos Povos da Floresta (Reprodução/Bruno Peres/Agência Brasil)

A realização da COP30 em Belém, marcada como um dos eventos climáticos mais esperados da década, passou a enfrentar uma crise inesperada: os alertas severos da ONU sobre falhas de segurança e vulnerabilidades na estrutura montada para a conferência. A preocupação foi oficializada por meio de uma carta enviada pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) ao governo brasileiro, em tom firme e direto.

Assinada pelo secretário-executivo Simon Stiell, a comunicação aponta episódios recentes, principalmente a invasão ao pavilhão principal como um sinal evidente de que o esquema de segurança não está funcionando conforme o planejado. O teor do documento, coloca o Brasil diante de uma cobrança internacional que exige respostas rápidas e efetivas.

Pressões após a invasão ao pavilhão principal

A noite de terça-feira ficou marcada pela entrada de cerca de 150 manifestantes no espaço considerado o coração da COP30. O grupo, formado por indígenas, estudantes e representantes de movimentos sociais, atravessou áreas que deveriam ser estritamente controladas, deixando feridos e causando danos materiais. Para a ONU, o episódio representa uma “brecha grave”, que expõe riscos para participantes e compromete a integridade do encontro.

A situação ficou ainda mais delicada quando, na manhã seguinte, novos protestos voltaram a ocorrer em uma área restrita. A carta relata que a Polícia Federal foi acionada pela ONU para dispersar o grupo, mas teria informado que recebeu orientação da Casa Civil para não agir.


ONU cobra reação rápida do governo Brasileiro para solucionar falhas de segurança e de estrutura (Foto: Reprodução/@portalg1)


Além das falhas de segurança, o documento enviado pelo chefe da Convenção do Clima lista uma série de problemas estruturais. Houve relatos de alagamentos após fortes chuvas, colocando em risco instalações elétricas e equipamentos. Delegados também reclamaram de temperaturas elevadas dentro dos pavilhões, resultado de aparelhos de ar-condicionado quebrados ou não instalados.

Situações semelhantes ocorreram nos banheiros, onde foram registrados vasos sanitários sem funcionar e portas danificadas, pontos que, somados, reforçam a percepção de improviso em um evento que deveria ser referência de organização global.

Resposta do governo brasileiro

Em nota, a Casa Civil afirmou estar em diálogo contínuo com a ONU e destacou que ajustes diários são naturais em uma conferência desse porte. A pasta comunicou que ampliou o perímetro de segurança, instalou gradis adicionais e reforçou o efetivo com apoio da Força Nacional e da Polícia Federal.

Com relação aos alagamentos, o governo assegura que não houve inundação dentro dos pavilhões, mas apenas goteiras e vazamentos pontuais ocasionados por falhas nas calhas, já corrigidas. A nota também menciona a instalação de novos aparelhos de ar-condicionado para amenizar as altas temperaturas relatadas.

O presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, reforçou na noite de quinta-feira (13) que, conforme informado pela própria ONU, os problemas de segurança já haviam sido resolvidos. Ele admitiu os contratempos técnicos, mas afirmou que as equipes continuam trabalhando para garantir o pleno funcionamento das instalações.

Com a conferência avançando e a atenção internacional voltada ao Brasil, fica evidente que o país precisará demonstrar capacidade de resposta rápida para garantir a estabilidade, a estrutura e, principalmente, a segurança de um dos maiores eventos climáticos do mundo.

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