O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) enviou um ofício ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), solicitando autorização para exercer seu mandato diretamente dos Estados Unidos. O parlamentar está fora do Brasil desde o início de 2025 e pede para atuar de forma remota, alegando compromisso com a chamada “diplomacia parlamentar”.
No documento, Eduardo Bolsonaro cita a experiência da pandemia da Covid-19, quando deputados puderam participar de sessões e votações a distância. O deputado argumenta que, assim como naquele período, seria possível conciliar a representação política com atividades internacionais.
O parlamentar afirma que sua permanência nos EUA é “forçada” e que decidiu permanecer no território americano diante de notícias de que ele poderia ter o passaporte apreendido ou sofrer outras punições.
Hugo Motta descarta mandato remoto
O presidente da Câmara, Hugo Motta, tem reiterado em entrevistas que não há possibilidade de um mandato remoto no Parlamento.
A ausência prolongada de Eduardo Bolsonaro levou aliados a discutirem alternativas para evitar a perda de mandato por faltas. Houve tentativas de pressionar a Mesa Diretora para alterar regras de licença ou admitir a atuação à distância, mas nenhuma dessas iniciativas prosperou.
Segundo Motta, Eduardo será tratado “como todos os outros deputados”, e o regimento da Casa será seguido integralmente. Ele já declarou em diferentes ocasiões que “não existe previsão para mandato à distância” nas normas internas da Câmara.
No ofício enviado a Motta, Eduardo pede tratamento semelhante ao concedido na pandemia da Covid-19, quando o trabalho remoto foi autorizado. O deputado sustenta que hoje enfrenta “um risco de perseguição política incomparavelmente maior do que o risco de adoecer gravemente durante a pandemia”.
“Não se pode admitir que o que foi assegurado em tempos de crise sanitária deixe de sê-lo em um momento de crise institucional ainda mais profunda”, diz.
Eduardo e Jair Bolsonaro são indiciados
A Polícia Federal indiciou, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro por coação no processo que investiga a tentativa de golpe de Estado entre 2022 e 2023. A medida integra as ações da PF para apurar a participação de aliados do ex-presidente na obstrução da Justiça e na pressão sobre autoridades.
O indiciamento ocorreu no mesmo dia em que Silas Malafaia foi conduzido para depor à Polícia Federal. Durante a operação, agentes apreenderam seus aparelhos eletrônicos e determinaram medidas cautelares, como a proibição de deixar o país e de manter contato com outros investigados.

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