O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), sinalizou nesta segunda-feira (4) que o Brasil está disposto a levar ao centro das conversas com os Estados Unidos a exploração de minerais críticos e terras raras, como contrapartida ao “tarifaço” de 50% aplicado por Washington sobre produtos brasileiros.
Minerais estratégicos na mesa de negociações
Em entrevista à BandNewsFM, Haddad destacou que, ao negociar com “a maior economia do mundo”, o país pode oferecer insumos que dificilmente são encontrados em solo norte-americano, a exemplo de lítio, nióbio e outros minerais essenciais à fabricação de baterias de alta performance e componentes tecnológicos. “Nós temos minerais críticos e terras raras. Os EUA não são ricos nesses minerais. Podemos estabelecer acordos de cooperação para produzir baterias mais eficientes na área tecnológica” .
O ministro acrescentou que parte da estratégia é “despolitizar o debate comercial” e expandir o leque de investimentos, indo além dos tradicionais setores agropecuário e de commodities.

Setores promissores e diversificação de parcerias
Além das minas, Haddad apontou o setor de data centers como outra fronteira a ser explorada em conjunto. O Brasil dispõe de energia limpa e abundante, condição vantajosa para abrigar centros de processamento e armazenamento de dados, segundo o ministro. Ele também frisou a importância de atrair investimentos não apenas da China e da União Europeia, mas também de Washington: “Somos um país grande demais para servir de satélite de um bloco econômico […] precisamos diversificar cada vez mais” .
Pressão de Trump e reação de Brasília
O anúncio ocorre em meio ao impasse criado pelas tarifas implementadas pelo governo de Donald Trump. Em julho, Alckmin levou a disputa à Organização Mundial do Comércio (OMC), e agora, conforme revelado à Agência Brasil, representantes dos EUA manifestaram interesse em acessar o minério estratégico brasileiro, segundo o encarregado de negócios Gabriel Escobar.
O presidente Lula reagiu duramente: “Temos todo o nosso petróleo para proteger. Temos todo o nosso ouro para proteger. Temos todos os minerais ricos que vocês querem para proteger. E aqui ninguém põe a mão. Este país é do povo brasileiro”, afirmou, reforçando a soberania nacional sobre lítio, nióbio e outras riquezas.
Fernando Hadadd fala sobre minerais (Foto: reprodução/Instagram/@globonews)
O que são terras raras e por que importam
Terras raras reúnem 17 elementos químicos fundamentais a indústrias de ponta ― de smartphones a turbinas eólicas e sistemas de defesa, como aviões de caça e submarinos. Embora presentes em pequenas quantidades, são insubstituíveis. O Brasil detém a segunda maior reserva global, avaliando-se 25% do total mundial, ficando atrás apenas da China .
Esses minerais permitem a produção de ímãs permanentes potentes e duráveis, indispensáveis para miniaturização de componentes eletrônicos e veículos elétricos. No mercado internacional, os preços chegam a cerca de 55 euros por quilo para neodímio e praseodímio, e ultrapassam 850 euros para térbio, em contraste com o minério de ferro, que vale aproximadamente R$ 0,60 o quilo.
Com a crescente demanda global por tecnologia de ponta, o Brasil vê nos minerais críticos um ativo capaz não apenas de reduzir o impacto do tarifaço, mas de posicionar o país como parceiro estratégico de potências que buscam garantir acesso a esses recursos vitais.

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