A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou nesta quinta-feira (21) qualquer tentativa de fuga do país e afirmou ter recebido “com surpresa” o indiciamento realizado pela Polícia Federal (PF). O relatório aponta Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por suspeita de coação e tentativa de abolição do Estado democrático de direito, no inquérito que investiga a tentativa de golpe após as eleições de 2022.
Um dos elementos citados pela PF foi a descoberta de um rascunho de pedido de asilo político à Argentina encontrado no celular de Bolsonaro, usado como indício de possível risco de evasão. Os advogados, porém, afirmaram que o documento não passou de uma sugestão de terceiros, jamais aceita ou posta em prática pelo ex-presidente.
Em nota, a defesa destacou que Jair Bolsonaro sempre cumpriu as medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e garantiu que todos os pontos levantados no relatório serão esclarecidos dentro do prazo estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes.
O indiciamento já foi enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que deverá decidir se apresenta denúncia contra Bolsonaro, solicita novas diligências ou arquiva o caso. A expectativa é de que a PGR se manifeste após o prazo final para que a defesa apresente suas explicações, que vence nesta sexta-feira (22).
Jair Bolsonaro tem 48 horas para se explicar
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, concedeu um prazo de 48 horas para que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro explique o descumprimento das medidas cautelares impostas, como o uso de tornozeleira eletrônica, além de esclarecer sobre o “comprovado risco de fuga”, conforme apontado pela Polícia Federal.
Além disso, Moraes exigiu informações sobre o rascunho de pedido de asilo político à Argentina, apreendido em documentos no âmbito da operação em que Bolsonaro foi alvo de busca e apreensão.
O ministro destacou que os autos deverão ser encaminhados à Procuradoria-Geral da República (PGR) imediatamente após o envio da resposta da defesa.
Indiciamento
A Polícia Federal indiciou nesta quarta-feira (20) o ex-presidente Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro por coação no processo que investiga a tentativa de golpe de Estado em 2022–2023. A medida faz parte das ações da corporação para apurar a atuação de aliados de Bolsonaro na obstrução de Justiça e na pressão sobre autoridades.
O indiciamento ocorre no mesmo contexto em que o pastor Silas Malafaia foi conduzido para prestar depoimento à PF. Além da apreensão de aparelhos eletrônicos, Malafaia teve medidas cautelares aplicadas, como a proibição de deixar o país e de manter contato com outros investigados. Ele foi abordado por agentes federais ao desembarcar de um voo vindo de Lisboa e prestou depoimento no aeroporto.

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