O presidente Lula intensificou nesta quinta-feira (8) sua atuação diplomática diante da grave crise na Venezuela, após a captura do presidente Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos no início do mês. A estratégia de Lula foi conversar por telefone com dois líderes-chave: a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
Segundo o Planalto, o presidente brasileiro defendeu o respeito ao direito internacional, o multilateralismo e uma saída pacífica para os conflitos que se arrastam no país vizinho. A da Venezuela é hoje uma das crises mais complexas da América Latina, envolvendo questões de soberania, ordem regional e instabilidade política.
Condenação ao uso da força dos EUA
Horas depois, Lula conversou com Carney, que também manifestou preocupação pelo uso de força sem respaldo claro na Carta das Nações Unidas e no direito internacional. Os dois repudiaram qualquer ação que viole princípios básicos de soberania e ordenamento jurídico global.
As ligações ocorrem no mesmo dia em que o Senado dos Estados Unidos aprovou uma resolução para limitar novas ações militares contra a Venezuela sem aval do Congresso, sinal de divisão interna na política externa americana diante da crise venezuelana.
Lula realiza conversa telefônica com os líderes do México e do Canadá (Reprodução/@cnnpolitica/@cnnbrasil)
Convites para visitas oficiais
Em um gesto de aproximação diplomática, Lula convidou Carney para uma visita ao Brasil em abril para aprofundar relações bilaterais e discutir comércio. Sheinbaum também recebeu convite para vir ao país, com datas ainda em negociação.
Esses movimentos mostram que Brasília busca reforçar sua liderança regional e coordenar respostas conjuntas entre países das Américas diante do cenário de incerteza.
Reações e tensão diplomática
A detenção de Maduro intensificou tensões diplomáticas. A Organização das Nações Unidas discutiu a operação em sessões de urgência, com membros questionando a legalidade da ação sem autorização do Conselho de Segurança.
Enquanto isso, Maduro, em sua primeira aparição em tribunal nos EUA, negou as acusações e afirmou que foi “sequestrado”, mantendo que ainda é o presidente legítimo da Venezuela apesar de estar sob custódia.
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