Milei conquista 64 assentos e fortalece base no congresso argentino

Milei conquista 64 assentos e fortalece base no congresso argentino Foto destaque: Presidente da Argentina, Javier Milei (Reprodução/Instagram/@jaiermilei)

O partido “La Libertad Avanza“, do presidente Javier Milei, obteve uma vitória expressiva nas eleições legislativas deste domingo (26) na Argentina, conquistando 40% dos votos para a Câmara dos Deputados e garantindo um total de 64 assentos, resultado que fortalece significativamente a base governista para avançar com a controversa agenda de reformas econômicas.

A votação de meio de mandato, que visava renovar metade da Câmara e um terço do Senado, funcionou como um referendo crucial sobre a popularidade e a aceitação das medidas de austeridade implementadas por Milei desde sua posse, consolidando um apoio maior do que o esperado para o projeto liberal. A principal força de oposição, a coalizão peronista Fuerza Patria, ficou distante, registrando apenas 24% dos votos no pleito.

Javier Milei sai vitorioso nas eleições legislativa

O ganho de 64 cadeiras representa um salto significativo para o partido governista. Antes da eleição, o La Libertad Avanza possuía apenas 37 deputados e 6 senadores, o que tornava a aprovação de leis e reformas estruturais extremamente difícil, exigindo negociações complexas e constantes com a oposição.

Com o aumento para 64 assentos, Milei não alcança a maioria absoluta na Câmara (que seria de 129 deputados), mas obtém uma capacidade de negociação e de articulação política consideravelmente maior. Esse novo poder de fogo no Congresso é essencial para dar continuidade à sua plataforma de governo, que inclui a privatização de empresas estatais, a desregulação da economia e cortes profundos nos gastos públicos, elementos centrais de seu projeto de “choque” econômico.


Milei vence eleições legislativas (Foto: reprodução/Instagram/@cnnbrasil)


Baixa participação na votação

Apesar do forte desempenho eleitoral do partido governista, a votação foi marcada por uma notável baixa participação. Apenas 66% dos eleitores argentinos compareceram às urnas, estabelecendo o percentual mais baixo para eleições legislativas desde a redemocratização do país.

Analistas políticos sugerem que esta abstenção histórica pode ter beneficiado as forças governistas, que conseguiram mobilizar sua base de apoio de forma mais eficiente do que a oposição peronista, tradicionalmente forte em períodos de alta participação popular. A baixa adesão, no entanto, levanta questões sobre o engajamento cívico geral frente às reformas radicais propostas pelo governo.

O resultado do pleito é lido como um sinal de aprovação, ainda que cautelosa, da população argentina às políticas de austeridade de Milei, mesmo diante de uma inflação persistentemente alta e de cortes nos subsídios.

Com o Congresso menos travado, o presidente terá a oportunidade de acelerar a aprovação das leis cruciais que visam estabilizar a macroeconomia e reformar o Estado. A nova configuração da Câmara dos Deputados coloca o La Libertad Avanza em uma posição estratégica para formar alianças e cooptar votos de blocos menores, pavimentando o caminho para a concretização de sua “motosserra” reformista.

Deixe um comentário

Para Cima