Em entrevista publicada nesta segunda-feira (18) pelo jornal norte-americano The Washington Post, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, afirmou que seguirá firme em suas decisões e investigações, mesmo diante de pressões internas e externas.
Segundo ele, não há possibilidade de retrocessos: “não existe a menor possibilidade de recuar nem um milímetro sequer”, apesar das sanções impostas contra ele pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Faremos o que é certo: receberemos a acusação, analisaremos as provas, e quem deve ser condenado será condenado, e quem deve ser absolvido será absolvido”, disse à publicação.
Medidas impostas contra Alexandre de Moares
Moraes também comentou as sanções impostas pelos Estados Unidos, que incluem a revogação de visto, bloqueio de bens e restrições financeiras. Ele classificou as medidas como “desagradáveis”, mas garantiu que não se sente intimidado e que os processos continuarão pelo tempo necessário.
Na entrevista, o ministro comparou a situação do Brasil à dos EUA. Ele afirmou que, por ter enfrentado ditaduras e recentes tentativas de ruptura institucional, o país desenvolveu anticorpos contra o autoritarismo, funcionando como uma “vacina preventiva” em defesa da democracia.
“Mas o Brasil teve anos de ditadura sob o [presidente Getúlio] Vargas, outros 20 anos de ditadura militar e inúmeras tentativas de golpe. Quando você é muito mais atacado por uma doença, forma anticorpos mais fortes e busca uma vacina preventiva”, disse o ministro.
Moraes ressaltou ainda que suas decisões já foram revisadas mais de 700 vezes por outros ministros do STF e nenhuma foi revertida, o que, em sua avaliação, demonstra a consistência de sua atuação.
Washington Post
O Washington Post descreveu o ministro como “o juiz que se recusa a ceder à vontade de Trump” e destacou seu papel central nos inquéritos relacionados aos ataques à democracia, como os atos de 8 de janeiro de 2023 e as investigações sobre fake news.
Apesar das tensões com o governo norte-americano, Moraes disse manter admiração pelas ideias de governança dos EUA e citou autores como John Jay, Thomas Jefferson e James Madison como referências de sua formação jurídica.

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