Ozempic no SUS | Ações judiciais explodem por acesso ao medicamento

Ozempic em caixa Foto destaque: Ozempic (reprodução/Unsplash/David Trinks)

Ozempic no SUS está no centro de um debate crescente, com ações judiciais aumentando para garantir acesso à semaglutida, medicamento essencial para diabetes e obesidade. Um levantamento revelou que 67,2% desses processos têm o SUS como réu, refletindo a luta de pacientes como Solange, 58 anos, e Daniela Cortinovis, 52 anos, por tratamento.

Ozempic para Solange

Solange, aposentada com diabetes tipo 2, obesidade e doença renal crônica, não tolerava a metformina do SUS, que causava inchaço. Após uma liminar judicial, ela usa semaglutida há um ano, com resultados impressionantes: “A glicemia está controlada, a função renal melhorou e reduzi o uso de losartana”, relata. A advogada Luma Ponte destaca: “Ela provou contraindicação com laudos completos, atendendo aos critérios judiciais”.

Um estudo da Projuris analisou 445 ações de 2023 a maio de 2025: 67,2% contra o SUS (União, estados e municípios), 29,9% contra planos de saúde. As doenças mais citadas são obesidade (28,5%), diabetes (24%) e ambas (17,5%). Dos pedidos de liminar, 53% foram concedidos, permitindo tratamento imediato. “O SUS concentra a demanda, mas a rede privada também cresce”, diz Fernando Ribeiro, da Projuris.

Daniela e a melhora com Semaglutida

Daniela, com diabetes, obesidade grau 3 e esteatose hepática, conseguiu sentença favorável em 2021. “Os remédios do SUS sobrecarregavam meu fígado. Com a semaglutida, reduzi quatro comprimidos e a gordura hepática caiu”, conta. O laudo detalhado foi chave para provar que o uso ia além de emagrecimento, focando em saúde.

A endocrinologista Maria Clara Martins explica que a semaglutida, agonista de GLP-1, melhora a insulina, reduz glucagon e saciedade, superando medicamentos orais do SUS. “Melhora peso, pressão e colesterol, com baixo risco de hipoglicemia”, diz. Estudos globais apontam benefícios cardíacos e renais, como desacelerar a progressão de doenças crônicas.


Ozempic | Semaglutide (Foto: reprodução/Unsplash/Haberdoedas)


Conitec rejeita incorporação ao SUS

Em agosto, a Conitec negou a inclusão da semaglutida no SUS, citando custo de até R$ 6 bilhões em cinco anos, quase o dobro do Farmácia Popular. “É um vácuo entre a necessidade e a política pública”, afirma Luma Ponte. A ABESO lamenta, destacando prevenção de complicações. O Ministério da Saúde investe em genéricos pós-2026 e canetas nacionais com Fiocruz e EMS.

Deixe um comentário

Para Cima