A primeira pandemia documentada da história não deixou apenas registros em textos antigos. Agora, restos humanos encontrados em uma vala coletiva ajudam a entender como a crise sanitária afetou a vida e a morte de centenas de pessoas.
Pesquisadores analisaram uma cova coletiva localizada em Jerash, cidade da atual Jordânia, e identificara evidências de enterros apressados, falta de rituais funerários e colapso do sistema urbano. O cenário reforça a dimensão humana da chamada Peste de Justiniano, considerada a primeira grande pandemia do mundo.
Mortes em sequência e enterros improvisados
A vala coletiva analisada contém ao menos 230 corpos enterrados de forma sobreposta. A rapidez das mortes impediu qualquer tipo de organização funerária tradicional. Os corpos foram depositados em poucos dias, indicando uma crise fora de controle.
O surto ocorreu entre os anos 541 e 750 d.C. e foi causado pela bactéria Yersinia pestis, responsável pela peste bubônica. A doença atingiu fortemente o Mediterrâneo e contribuiu para o enfraquecimento do Império Bizantino, mudando o curso da história.
Estudo busca entender como a pandemia impactou pessoas
Diferente de estudos anteriores, que priorizavam apenas o patógeno, a nova pesquisa buscou entender como a pandemia impactou pessoas reais. A equipe utilizou análises de isótopos estáveis e DNA antigo para identificar a origem e o contexto social das vítimas.
As evidências apontam para falhas no saneamento, interrupção de serviços básicos e uma cidade incapaz de lidar com o avanço da pandemia. Situações semelhantes ainda se repetem em crises sanitárias modernas, o que torna o estudo atual e relevante.
Ao revelar como uma sociedade antiga enfrentou sua maior crise de saúde, os pesquisadores ajudam a compreender que pandemias não são apenas eventos médicos, mas experiências humanas profundas.
O estudo foi liderado pela pesquisadora Rays HY Jiang, da Universidade do Sul da Flórida, e publicado no Journal of Archaeological Science no dia 13 de janeiro. Para ela, o sítio arqueológico transforma dados genéticos em uma narrativa humana sobre sofrimento coletivo.
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