Milhares de manifestantes ocuparam a Avenida Paulista, em São Paulo, na noite de quarta-feira (10), em protesto contra o tarifaço imposto pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a produtos brasileiros, e em defesa da taxação dos super-ricos.
O ato, organizado por centrais sindicais e movimentos sociais, contou com faixas, cartazes e palavras de ordem pedindo justiça econômica. Entre as principais pautas estavam o fim da jornada de trabalho 6×1, a redução da taxa de juros, mais investimentos em políticas públicas e a cobrança de impostos sobre grandes fortunas.
Manifestantes queimam boneco de Trump
Durante a manifestação, os participantes também criticaram a política externa de Trump e queimaram um boneco gigante com a imagem do ex-presidente norte-americano. A medida foi simbólica e recebeu aplausos dos presentes.
De acordo com os organizadores, cerca de 15 mil pessoas participaram do protesto. A Polícia Militar não divulgou estimativa oficial.
Boneco de Trump é queimado na Avenida Paulista (Vídeo: reprodução/Instagram/@luizbacci)
A manifestação é uma resposta direta ao anúncio recente de Trump, que, em carta enviada ao presidente Lula, confirmou a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos do agronegócio brasileiro. A medida foi criticada por entidades do setor produtivo e pelo governo brasileiro, que promete retaliar com base na lei da reciprocidade.
O protesto também defendeu uma reforma tributária mais justa, que beneficie os mais pobres e cobre mais impostos dos bilionários. “Chega de favorecer quem já tem tudo. É hora dos ricos pagarem a conta”, dizia um dos cartazes erguidos por manifestantes.
Taxar os super-ricos
Para compensar a perda de arrecadação com a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos até R$ 5 mil mensais, o governo pretende taxar os super ricos, ou seja, aqueles com renda mensal superior a R$ 50 mil — o equivalente a R$ 600 mil por ano.
A projeção do governo é de arrecadar R$ 25,22 bilhões em 2026 com essa mudança – valor próximo aos cerca de R$ 26 bilhões que serão perdidos, na arrecadação, com a isenção até R$ 5 mil.
Ambas as medidas, se aprovadas, têm validade a partir de 2026. De acordo com interlocutores da área econômica, no cálculo do imposto adicional a ser cobrado dos super ricos, soma-se toda a renda recebida no ano, incluindo salário, aluguéis, dividendos e outros rendimentos.
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