Suspeito de 58 anos foi encaminhado para a Delegacia de Defesa da Mulher em Suzano, na última sexta-feira, após perseguir uma mulher de 41 anos por mais de três anos e alegar que agia sob orientação espiritual. O caso, registrado no bairro Jardim Cacique, mobilizou a Polícia Militar depois que a vítima recebeu uma nova carta com teor intimidatório. Segundo o relato policial, o suspeito afirmava que uma mensagem divina recebida em 2019 indicava que os dois deveriam ficar juntos, o que deu início a uma série de abordagens indesejadas que perduraram por anos.
A vítima relatou às autoridades que o assédio era constante e ocorria por meio de cartas, mensagens em redes sociais e aproximações presenciais. O conteúdo das mensagens frequentemente apresentava teor sexual e frases de cunho possessivo, afirmando que a mulher pertenceria ao suspeito de qualquer maneira. Apesar de já ter registrado boletins de ocorrência anteriormente, a situação atingiu um limite na última sexta-feira, quando o homem enviou uma nova correspondência através de um terceiro que utilizava máscara, levando a mulher a acionar a Polícia Militar imediatamente.
Homem suspeito de stalking diz seguir “orientação do Espírito Santo” (Vídeo: reprodução/Instagram/@redealtotietetv)
Entenda o crime de stalking e as penalidades previstas
O termo stalking, mencionado no caso de Suzano, foi oficialmente tipificado no Código Penal brasileiro em abril de 2021, por meio da Lei 14.132. O crime de perseguição é definido como o ato de seguir alguém reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando a integridade física ou psicológica da vítima, restringindo sua capacidade de locomoção ou invadindo sua liberdade e privacidade. Antes dessa legislação, condutas semelhantes eram tratadas apenas como contravenções penais de perturbação da tranquilidade, que previam penas muito mais brandas.
Atualmente, a pena para quem comete o crime de stalking varia de seis meses a dois anos de reclusão, além de multa. No entanto, essa punição pode ser aumentada em metade se o crime for cometido contra mulheres por razões da condição do sexo feminino, contra crianças, adolescentes ou idosos, ou ainda se houver o uso de armas e a participação de duas ou mais pessoas. No caso ocorrido em Suzano, a Delegacia de Defesa da Mulher conduz o inquérito para apurar todos os agravantes das mensagens enviadas pelo suspeito de 58 anos.
Medidas protetivas e o andamento das investigações
Após o depoimento na delegacia, a vítima solicitou e obteve da Justiça uma medida protetiva de urgência. Esse mecanismo jurídico é fundamental para garantir que o agressor mantenha distância mínima e não tente novos contatos com a mulher enquanto o processo judicial avança. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o suspeito foi liberado após prestar depoimento, mas permanece sob investigação rigorosa. As diligências agora buscam reunir as provas documentais, como as cartas e mensagens citadas, para consolidar o inquérito policial.
A situação em Suzano reforça a importância de denunciar casos de perseguição logo nos primeiros sinais. A persistência do homem, baseada em uma suposta mensagem do Espírito Santo, demonstra como o stalking pode estar ligado a delírios ou obsessões que colocam a vítima em risco contínuo. Com a medida protetiva em vigor, qualquer tentativa de aproximação por parte do investigado poderá resultar em sua prisão preventiva imediata, garantindo maior segurança à mulher que sofreu com o assédio sistemático desde 2019.
Meu nome é Camile Barros e sou estudante de Jornalismo no UniBH. Em minhas produções jornalísticas trago uma perspectiva dinâmica e questionadora para a diversas coberturas. Minha jornada acadêmica é pautada na busca por novas narrativas e meu objetivo é simples: aliar a curiosidade inerente da juventude ao rigor ético da profissão, dedicando-me a construir reportagens transparentes, relevantes e que inspirem o debate, moldando o futuro do jornalismo a cada texto.

