A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos pode avançar nas próximas semanas, após a reunião desta quinta-feira (13) entre Mauro Vieira e Marco Rubio, em Washington. O encontro tratou diretamente do tarifaço de 50% imposto pelos EUA a produtos brasileiros, considerado hoje a principal pendência entre os dois países e encarado por ambas as diplomacias como urgente.
Rubio sinalizou abertura para acelerar as discussões e compartilhou, nas redes sociais, uma foto ao lado de Vieira, afirmando que os dois conversaram sobre um novo “marco recíproco” para orientar as tratativas. A postura do secretário de Estado reforçou a expectativa brasileira por avanços rápidos na negociação.
Diálogo direto e sinais de boa vontade
Rubio afirmou que a conversa foi produtiva e incluiu temas de “importância mútua”. Já o chanceler brasileiro explicou que o governo entregou aos Estados Unidos um conjunto de propostas para destravar as pendências bilaterais, e agora aguarda um retorno oficial.
Segundo Vieira, a negociação recebeu um sinal positivo de Washington. O secretário de Estado teria manifestado interesse pessoal e institucional em acelerar o processo, ressaltando que uma resposta norte-americana ao documento brasileiro deve chegar ainda nesta semana ou no início da próxima.
Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio e o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira.
(Foto: reprodução/Instagram/@portalg1)
Tarifaço específicas, café e temas sensíveis
Uma das principais dúvidas diz respeito às tarifas sobre o café brasileiro, ponto citado por produtores e parlamentares nas últimas semanas. Vieira explicou que, durante seus encontros com Rubio, o foco esteve na estrutura geral da negociação, e não em produtos específicos.
O governo Trump já sinalizou que pode rever as tarifas extras sobre o café, mas ainda não informou como essa medida seria aplicada nem a quais países beneficiaria. O Brasil tenta antecipar cenários, mas depende de detalhes que ainda não foram apresentados formalmente pelo governo dos Estados Unidos.
De acordo com Vieira, Rubio mencionou comentários do presidente Donald Trump, que teria demonstrado satisfação com sua recente reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Malásia. Segundo o chanceler, Trump expressou desejo de acelerar a resolução das pendências bilaterais, outro indicador de que a negociação tem respaldo político no mais alto nível do governo norte-americano.
Reunião entre o secretário Marco Rubio, o Ministro Mauro Vieira (Foto: reprodução/X/@ItamaratyGovBr)
Mapas, prazos e o acordo provisório
O ministro brasileiro também revelou que o objetivo compartilhado por ambos os governos é concluir, até o fim do mês, um acordo provisório que funcione como guia para as etapas seguintes da negociação. O chamado “mapa do caminho” deve orientar discussões técnicas por um a dois anos, até a formalização de um pacto mais amplo.
Vieira indicou que o Brasil já respondeu detalhadamente à lista de temas encaminhada pelos EUA em outubro, o que incluiu questões tributárias, barreiras comerciais e temas sensíveis para setores produtivos dos dois países.
A reunião realizada em 4 de novembro também foi parte essencial desse processo. Nela, equipes do Itamaraty, Ministério da Fazenda e do MDIC discutiram ponto a ponto as demandas norte-americanas, consolidando o documento que agora passa pela análise de Washington. Com diferentes frentes se mobilizando e uma rara sintonia entre Brasília e Washington, o momento parece propício para avanços concretos. Resta saber se a negociação será capaz de superar os entraves técnicos e políticos que há anos dificultam o comércio bilateral.
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