O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (18), que está preparando uma reunião com os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, com o objetivo de buscar um caminho para a paz. A guerra, que já ultrapassa três anos e deixou dezenas de milhares de mortos, segue sem uma solução diplomática consolidada.
Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou ter ligado pessoalmente para Putin após uma série de reuniões na Casa Branca com Zelensky e líderes europeus.
“Todos estão muito felizes com a possibilidade de paz entre Rússia e Ucrânia. Após as reuniões, liguei para o presidente Putin e iniciei os preparativos para um encontro, em local ainda a ser definido, entre Putin e o presidente Zelensky. Após essa reunião acontecer, teremos um encontro trilateral, com os dois presidentes e eu”, escreveu.
A proposta, no entanto, ainda não tem data nem local definidos, e o governo russo tratou a iniciativa como uma “ideia”. Segundo o Kremlin, um encontro direto entre os chefes de Estado seria prematuro e dependeria de discussões preliminares conduzidas por representantes de alto escalão.

Ceticismo europeu e exigências ucranianas
Apesar do entusiasmo declarado por Trump, o tom entre os aliados europeus e o próprio presidente ucraniano foi de cautela. Zelensky e os líderes da União Europeia presentes às reuniões enfatizaram a necessidade de garantias sólidas de segurança, alertando para o risco de a Rússia retomar a ofensiva militar após um eventual acordo mal estruturado.
Donald Trump e Volodymyr Zelensky (Foto: reprodução/Tasos Katopodis/Getty Images Embed)
Zelensky reiterou que qualquer negociação de paz deve incluir a retirada completa das tropas russas do território ucraniano, incluindo a Crimeia e as regiões do leste anexadas unilateralmente por Moscou. Além disso, defende um acordo internacional de garantias que envolva tanto os Estados Unidos quanto potências europeias.
Desde o início da guerra, a Ucrânia tem contado com forte apoio militar e financeiro do Ocidente. No entanto, o prolongamento do conflito tem provocado desgaste político e pressão por soluções diplomáticas, especialmente nos Estados Unidos e na Europa.
EUA voltam a ocupar papel central nas negociações
A iniciativa de Trump sinaliza um reposicionamento diplomático dos Estados Unidos na mediação do conflito, que vinha sendo conduzido por canais mais discretos nos últimos meses. O presidente norte-americano já havia afirmado, durante a campanha eleitoral, que poderia encerrar a guerra em “24 horas” caso voltasse ao poder — uma promessa que agora tenta concretizar com esse gesto político.
Ainda que o Kremlin tenha respondido com reservas, analistas enxergam a proposta como um passo relevante, embora insuficiente por si só. “Não basta boa vontade ou declarações públicas. Qualquer avanço real depende de compromissos verificáveis, concessões difíceis e mediação internacional robusta”, avalia Dmitry Suslov, especialista em relações internacionais do Conselho Russo para Assuntos Externos.
Sem confirmação oficial por parte de Moscou ou Kiev, a eventual cúpula permanece como uma intenção política. A guerra, enquanto isso, segue em curso, com combates especialmente intensos no leste da Ucrânia e denúncias de novas violações de direitos humanos por ambos os lados.
