O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, afirmou nesta segunda-feira (8) que o país não busca confronto militar, mas está preparado para defender seu território caso seja necessário. A declaração foi feita em entrevista à CNN, realizada na Casa Amarilla, sede da chancelaria venezuelana em Caracas, em meio à escalada de tensões com os Estados Unidos.
O posicionamento ocorre dias após a Marinha norte-americana realizar um ataque fatal contra uma embarcação suspeita de transportar drogas no Caribe. O episódio intensificou a instabilidade diplomática entre Caracas e Washington, já marcada por anos de atritos políticos e econômicos.
“Não estamos apostando em conflito”, destacou Gil
“Não estamos apostando em conflito, nem queremos conflito”, destacou Gil, reforçando que a Venezuela prioriza a via diplomática, mas não abrirá mão da soberania nacional. A fala também acontece enquanto os EUA deslocam navios militares para a região e anunciam a duplicação da recompensa pela prisão do presidente Nicolás Maduro, agora fixada em US$ 50 milhões.
A relação entre os dois países é historicamente delicada, mas atingiu níveis críticos durante os mandatos de Donald Trump. O ex-presidente norte-americano adotou medidas de pressão máxima contra o governo venezuelano, incluindo sanções econômicas severas e o reconhecimento do líder opositor Juan Guaidó após eleições consideradas fraudulentas por parte da comunidade internacional.
Caribe em Risco
A nova movimentação militar dos EUA no Caribe eleva o risco de incidentes, embora nenhuma das partes tenha declarado intenção de guerra aberta. Para Caracas, trata-se de mais uma demonstração de “ameaça imperialista” contra a integridade territorial da Venezuela. Já para Washington, a operação é justificada pelo combate ao narcotráfico na região.
Com discursos duros de ambos os lados, o cenário segue de incerteza. Entre a diplomacia e a possibilidade de novos atritos no mar do Caribe, a crise continua a testar os limites das relações bilaterais.
Nesse contexto, cresce a apreensão entre países vizinhos e organismos internacionais, que observam o avanço da tensão com preocupação. O futuro imediato dependerá da capacidade das partes em conter provocações e abrir espaço para negociações, antes que incidentes isolados se transformem em um conflito de maiores proporções.

