Machado de Assis se mantém como um dos autores mais cobrados nos vestibulares brasileiros por seu estilo literário único, marcado por concisão, ironia e uma profunda crítica social. Considerado o principal nome do realismo no Brasil, o escritor é constantemente exigido em exames como Enem, Fuvest, Unicamp e outros por sua capacidade de explorar a psicologia humana e provocar reflexões sobre a elite carioca do século XIX.
Machado de Assis nos vestibulares: por que ele nunca sai de cena
Fundador da cadeira n.º 23 da Academia Brasileira de Letras (ABL), ocupou por mais de dez anos a presidência da entidade.
A virada na carreira de Machado acontece com Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), romance que rompe com as convenções narrativas da época e inaugura uma nova estética na literatura nacional. A obra dá início à chamada trilogia realista, ao lado de Quincas Borba (1891) e Dom Casmurro (1900), marcada por personagens ambíguos, pessimismo filosófico e ironia sofisticada.



Segundo O Livro da Literatura, publicado pela Editora Globo, Machado é o maior expoente do Realismo no Brasil, retratando com precisão a sociedade do século XIX, em especial a elite carioca do Segundo Reinado. Mas sua originalidade vai além da crítica social: ele também revoluciona a forma de contar histórias.
De acordo com o professor Castelar de Carvalho, autor do Dicionário de Machado de Assis: língua, estilos, temas, o escritor cria uma narrativa única, em que o trágico e o cômico se entrelaçam sem aviso. Sua prosa é concisa e elegante, recheada de recursos como metalinguagem, discurso indireto livre, digressões, sátira, paródia, oralidade, intertextualidade e humor irônico.
Esse arsenal estilístico exige muito mais do que memorização por parte dos vestibulandos. É preciso refletir, interpretar e ler com atenção características que explicam por que suas obras continuam caindo nas provas ano após ano.
Realismo, ironia e identidade: o legado múltiplo de Machado
Nos últimos anos, a imagem pública de Machado também passou por revisões. Embora retratado por muito tempo como branco, pesquisas e movimentos literários têm resgatado suas raízes afrodescendentes e discutido o apagamento histórico de sua identidade racial. Esse debate amplia ainda mais a relevância do autor no cenário educacional e cultural brasileiro.
Você já leu algum livro do Machado de Assis por vontade própria, ou só por obrigação da escola? E qual recurso narrativo dele mais mexe com você? Conta aqui nos comentários!

Uma taurina que aprendeu a amar histórias assistindo, antes mesmo de pensar em escrevê-las.
Cresci entre filmes e séries, colecionando personagens como quem guarda afetos. Hoje, cursando Letras, vivo um cotidiano que parece roteiro paralelo: trabalho na área da saúde, um universo completamente diferente do que pulsa em meu coração.

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