“Malária”, novo romance da alemã Carmen Stephan, traz uma narrativa diferente que atrai o leitor e o presenteia com a dimensão do poder da narração.
Em 2003, quando Carmen fez uma viagem ao Brasil, especificamente para Manaus, Belém e a Ilha do Marajó, adoeceu após uma picada de mosquito. O Anopheles, que a teria picado no Brasil, deu origem à narrativa, na qual a autora explora as nuances de ter o eu lírico de um mosquito.
Entre os capítulos de “Malária”, são retratados os 13 dias de progressão da doença, em uma espécie de “The Pitt” literário.
Narrador central
Como narradora central da história, a mosquita (fêmea, já que apenas ela busca o sangue humano para alimentar suas larvas) se apresenta ao leitor: “Asas manchadas como um tabuleiro de xadrez, palpos tão longos quanto a tromba, pernas finas e longas, abdômen liso, um ser que não pesa mais do que um pingo d’água.” Assim, ela conduz o leitor sobre como a narrativa seguirá até o fim.
É explícito que o mosquito, durante a narrativa, tem acesso total à mente e aos pensamentos de Carmen, protagonista homônima da autora. “Estávamos unidas”, constata. O desenrolar entre carrasco e mártir ocorre, então, com ares quase românticos, em uma simbiose sem erotismo, mas repleta de dominação.
Verdugo não é totalmente má, embora, em alguns capítulos, dedique interlúdios a julgamentos cruéis contra a raça humana. Ela explica que é movida por uma urgência maior, sem vontade de matar, mas apenas de garantir a sobrevivência de seus filhotes. “Somos mais fortes, não mais malvados”, esclarece.

Após ser picada no Brasil, autora escreve livro narrado por mosquito (Foto: reprodução/Instagram@carmenstephanara)
Aedes aegypti é tratado após doença
Stephan abre, em sua obra, trechos em que cita o médico microbiologista Theodor Albrecht Edwin Klebs, o primeiro a observar e identificar os protozoários causadores da malária.
A autora também aborda questões climáticas e ambientais ao citar o Aedes aegypti, mosquito causador da dengue, com o qual frequentemente, e de forma equivocada, se confunde o diagnóstico, tanto em sua ficção quanto na realidade da saúde brasileira, em casos de malária.
Professora e aspirante a jornalista, Evellyn busca unir suas duas paixões: ensinar e informar. Possui experiência em supervisão editorial, redação e edição e, mais uma vez, tenta conectar dois mundos distintos, mas que fazem total sentido para quem lê e vive a informação.
