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Câmara prioriza corte de gastos e adia debate sobre isenções

Câmara prioriza corte de gastos

Foto Destaque: Presidente da Câmara, Hugo Motta (Reprodução/Lula Marques/Agência Brasil)

A Câmara dos Deputados decidiu concentrar esforços, na próxima semana, em votar medidas de corte de despesas públicas. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (23) pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), após reunião com líderes partidários. Segundo ele, o projeto do governo que prevê a revisão das isenções tributárias ficará para um segundo momento.

“Isenções ainda não, ficará mais para frente um pouco. Mas queremos avançar nas medidas de contenção”, afirmou Motta.

A decisão confirma que o Legislativo deve começar pelo ajuste nas contas internas antes de discutir mudanças que possam gerar impactos diretos em setores empresariais e na arrecadação.

Foco imediato: reduzir despesas

De acordo com Motta, o texto que trata do corte de gastos deve ser analisado primeiro, enquanto o governo ainda define o formato ideal para a proposta de revisão das isenções.

A estratégia vem sendo tratada como uma forma de “ganhar tempo” para negociar pontos sensíveis com setores que podem ser afetados pela retirada de benefícios fiscais. O presidente da Câmara evitou, porém, dar datas exatas para votação.


Hugo Motta diz que Câmara priorizará cortes de despesas (Vídeo: Reprodução/@CNNbrasil)

O fatiamento da proposta

Depois de sucessivas negativas do Legislativo, o governo decidiu “fatiar” o pacote econômico em três frentes: Corte de despesas públicas; Revisão das isenções tributárias; Aumento de arrecadação.

A avaliação é de que, ao dividir as pautas, cada uma poderá avançar de forma mais estratégica, evitando desgastes políticos. O primeiro passo será justamente o corte de gastos, considerado o mais consensual entre os líderes partidários. O esperado é que essa abordagem facilite o diálogo com o Congresso e permitirá ajustes graduais nas contas públicas.

Isenções em segundo plano

A revisão das isenções tributárias, embora essencial para equilibrar o orçamento a médio prazo, enfrenta resistência dentro e fora do Congresso. Empresários e parlamentares temem o impacto sobre setores produtivos e sobre a geração de empregos.

Por isso, a Câmara optou por deixar o debate para depois. Segundo analistas, o governo busca construir um ambiente político mais favorável antes de colocar a proposta em votação.

“Mexer nas isenções é um tema delicado. O governo precisa mostrar que está cortando na própria carne antes de pedir novos sacrifícios à sociedade”, avaliou um líder da base aliada.


Hugo Motta diz que casa deve avançar nas medidas de corte de despesas (Foto: Reprodução/@portalg1)


A articulação política de Motta

O presidente da Câmara tem atuado como um ponto de equilíbrio entre as pressões do governo e as demandas dos parlamentares. A orientação de Hugo Motta é evitar pautas que possam gerar derrotas antecipadas ao Planalto, concentrando-se em medidas com apoio mais amplo.

A expectativa é que, após o avanço do corte de despesas, o governo consiga espaço político para retomar o debate sobre arrecadação e benefícios fiscais.

“Não se trata apenas de cortar gastos, mas de repensar prioridades e reequilibrar as contas com responsabilidade”, resumiu Motta ao deixar o encontro com líderes.

Com a agenda econômica travada por disputas políticas, o governo tenta demonstrar compromisso com a responsabilidade fiscal sem abrir mão de políticas sociais. O corte de despesas é o primeiro movimento nessa direção, mas o desafio será sustentar esse discurso quando o debate sobre isenções e aumento de impostos voltar à pauta.

Para Motta, o momento é de cautela e diálogo. “O importante é que o país volte a crescer com equilíbrio. A Câmara está comprometida em buscar soluções”, concluiu.

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