Ícone do site RollingScreenn

Moraes ordena investigação de juiz que liberou condenado por vandalismo no Palácio do Planalto

Moraes ordena investigação de juiz que liberou condenado por vandalismo no Palácio do Planalto Notícias

Foto destaque: Ministro Alexandre de Moraes (Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na última quinta-feira (19), a instauração de investigação contra o juiz Lourenço Migliorini Fonseca Ribeiro, da Vara de Execuções Penais de Uberlândia (MG).

Ribeiro havia concedido liberdade ao mecânico Antônio Cláudio Alves Ferreira, condenado a 17 anos de prisão por depredar um relógio histórico durante os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. O alvo do STF é questionar a ilegalidade dessa decisão.

Segundo Moraes, o juiz agiu fora de sua competência, pois a progressão de regime, em casos relacionados ao 8 de janeiro, deve ser analisada exclusivamente pelo STF. Além disso, Ferreira havia cumprido apenas 16% dos 17 anos de prisão, o que é insuficiente para a mudança ao semiaberto, que exige 25% mínimo.

Em consequência, Moraes revogou o alvará de soltura emitido pelo TJ-MG e determinou a regressão imediata do condenado ao regime fechado, com retorno ao sistema penitenciário federal.


Juiz será investigado por soltar homem por atos do dia 8/1 (Vídeo: reprodução/Youtube/CNN Brasil)

O que diz a decisão de Moraes

A decisão ignora a justificativa do juiz de Uberlândia, que manteve a soltura alegando falta de tornozeleiras eletrônicas em Minas Gerais, argumentando que “o reeducando não pode ser prejudicado em razão da morosidade do Estado“. No entanto, a Secretaria de Justiça mineira negou ter desabastecimento, afirmando haver mais de 4 000 equipamentos disponíveis.

Moraes encaminhou o caso à Corregedoria Nacional de Justiça e à Procuradoria‑Geral da República para apuração de possível abuso de autoridade por parte do magistrado. O aprofundamento do processo no STF é visto como fortalecimento do controle da Corte sobre medidas referentes a atos antidemocráticos.

Vandalismo ao Planalto

O artefato vandalizado por Ferreira era um relógio do século XVIII, criado pelo relojoeiro de Luís XIV, Balthazar Martino, que foi dado de presente ao Brasil em 1808 e tombado como patrimônio da Presidência.

Após restauração financiada pelo governo suíço, foi reintegrado ao acervo do Palácio do Planalto no início de 2025. O episódio ganhou repercussão nacional, com vídeos mostrando Ferreira derrubando o objeto durante a invasão, o que resultou na condenação por destruição de bem tombado, associação criminosa e tentativa de golpe de Estado.

Sair da versão mobile