A inteligência artificial (IA) na produção de filmes está revolucionando a indústria audiovisual, e a Netflix, liderada pelo co-CEO Ted Sarandos, aposta que a tecnologia pode não apenas reduzir custos, mas também elevar a qualidade de filmes e séries.
Em uma recente teleconferência sobre os resultados financeiros do primeiro trimestre de 2025, Sarandos destacou o potencial da IA para transformar a criação de conteúdo, contrariando a visão de que seu principal benefício seria apenas a economia financeira.
A declaração, que gerou debates no Brasil e no mundo, reflete a estratégia da Netflix de integrar IA em processos criativos, como efeitos visuais (VFX), planejamento de cenas e pré-visualização.
Embed from Getty ImagesFoto de Ted Sarandos em Los Angeles (reprodução: Jon Kopaloff/Getty Images embed)
O Potencial da IA na Produção Audiovisual
Durante a teleconferência, Sarandos respondeu ao cineasta James Cameron, que afirmou que a IA poderia reduzir os custos de produção em até 50%. “Li o artigo sobre o que Jim Cameron disse sobre tornar filmes 50% mais baratos”, disse Sarandos. “Estou convencido de que há uma oportunidade ainda maior de tornar os filmes 10% melhores.” Ele destacou que a Netflix já utiliza ferramentas de IA em áreas como VFX, referências de cenários e preparação de sequências, democratizando técnicas antes restritas a produções de alto orçamento. Um exemplo citado foi o filme The Irishman (2019), que usou tecnologia de rejuvenescimento digital cara e limitada. Hoje, a IA permite efeitos similares com maior eficiência e menor custo.
Impacto Econômico e Criativo da Netflix IA
A Netflix tem investido pesado em mercados internacionais, incluindo o Brasil, onde anunciou um aporte de R$ 1 bilhão para produções locais em 2023 e 2024, com destaque para a minissérie sobre Ayrton Senna. Elisabetta Zenatti, vice-presidente de conteúdo da Netflix Brasil, afirmou que o investimento fortalece a indústria audiovisual local, mas a integração de IA pode ampliar ainda mais esse impacto. A IA na produção audiovisual mais barata permite que a Netflix produza conteúdos locais com orçamentos mais acessíveis, mantendo a qualidade que atrai assinantes globais. Por exemplo, a série Cidade Invisível, filmada na Amazônia, ganhou visibilidade mundial, impulsionando o turismo no Brasil.
Além disso, a Netflix utiliza IA para otimizar outros aspectos da produção, como a criação de trailers personalizados. Ferramentas de IA analisam dados de visualização para identificar os momentos mais envolventes de um filme ou série, como ocorreu com House of Cards, cuja produção foi aprovada com base em análises preditivas de IA. No Brasil, onde a Netflix tem cerca de 20 milhões de assinantes, essas tecnologias ajudam a adaptar conteúdos ao gosto local, aumentando o engajamento.
Críticas e Preocupações com o Uso de IA
Apesar do otimismo de Sarandos, o uso de IA na produção de filmes levanta preocupações. A greve conjunta da SAG-AFTRA e da WGA em 2023, nos EUA, foi parcialmente motivada pelo medo de que a IA substitua empregos criativos. No Brasil, onde a indústria audiovisual ainda enfrenta desafios como a falta de treinamento para novas tecnologias, executivos como Zenatti reconhecem a necessidade de formar profissionais para lidar com esse novo mercado.
A nível global, a Netflix já enfrenta críticas por questões regulatórias e tributárias, como o “imposto Netflix” no Brasil, que visa proteger a produção local. A empresa, no entanto, argumenta que seus investimentos, como os US$ 1 bilhão anunciados para o México, geram benefícios econômicos significativos, como empregos em setores como hospitalidade e manufatura. No caso mexicano, o filme Pedro Paramo contribuiu com 375 milhões de pesos para o PIB local, demonstrando o impacto econômico da produção audiovisual.
O Futuro da Produção com IA
A visão de Sarandos sugere que a IA não apenas reduz custos, mas também permite que cineastas experimentem novas técnicas criativas. Ferramentas de IA podem, por exemplo, simplificar a pré-visualização de cenas complexas, permitindo ajustes antes das filmagens. No Brasil, onde a Netflix colabora com mais de 80 produtoras locais, a tecnologia pode ajudar a escalar projetos ambiciosos, como a minissérie sobre Senna, filmada em quatro países.
Além disso, a parceria com a Embratur para promover o turismo via conteúdos como Cidade Invisível e Amor de Mãe mostra como a Netflix integra estratégias comerciais e culturais. A IA pode potencializar essas iniciativas ao otimizar a escolha de locações e a criação de materiais promocionais que conectem o público global ao Brasil.
A aposta da Netflix na IA na produção de filmes reflete uma tendência global de integrar tecnologia para melhorar a eficiência e a qualidade do conteúdo audiovisual. No Brasil, onde a empresa é líder no mercado de streaming, com mais de 20 milhões de assinantes, a IA pode fortalecer a indústria local, mas também exige adaptação dos profissionais do setor. Enquanto Sarandos defende que a IA tornará filmes e séries “10% melhores”, o desafio será equilibrar inovação com a preservação de empregos e da criatividade humana.
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